26 de fev de 2011

As cores de vestidos de casamento da Regência no início do século XIX (Vic Sanborn)

Esse é um post bilíngue.
Gostei desse post. Escrito por Vic Sanborn, você pode vê-lo aqui.

This is a bilingual post.
I liked this post. Written by Vic Sanborn, you can see it here.


As cores de vestidos de casamento da Regência no início do século XIX


Os vestidos de casamento não foram sempre brancos. Até a rainha Victoria usar um vestido branco em seu casamento em 1840, as noivas escolhiam vestidos com uma variedade de cores.

No período regencial britânico, era costume a maioria das noivas de classes médias e baixas vestirem suas melhores roupas para seus casamentos e usá-las freqüentemente depois, seja na igreja ou em ocasiões especiais. Muito antes do início do século XIX, as noivas tradicionalmente usavam vestidos com uma variedade de cores. A mãe de Jane Austen, Cassandra Leigh, usava seu vestido de caminhada vermelho quando se casou com o Rev. George Austen em Bath, em 1764.
Esta decisão prática permitiu ao jovem casal sair imediatamente para o presbitério em Deane, seu novo lar. Como tantas noivas, Leigh usou seu vestido em muitas ocasiões posteriores. Mais tarde, ela transformou a roupa em um vestido de jardinagem e, eventualmente, reciclou o tecido, criando uma jaqueta de caça para seu filho de nove anos de idade, Francis. Esta tradição de usar vestidos de casamento depois da cerimônia e a reciclagem deles continuou até o período regencial (1811-1820).

Cores populares para casamento em fins do século XVIII e início do XIX
Enquanto isso se modificava, o vermelho foi uma cor popular para um vestido de casamento na época em que os Austen se casaram no século XVIII. As preferências por cores mudavam de acordo com a moda do dia. Por um tempo, o amarelo foi popular no início do século XIX. As cores que eram populares durante a Regência incluíam azul, rosa e verde. Cores escuras como preto, marrom escuro e bordô foram práticos para uma noiva das classes média e baixa, pois estas cores eram úteis em todas as tarefas do dia enquanto as mulheres faziam suas tarefas. Como a Sra. Austen em uma geração anterior, estas noivas da Regência usariam seus vestidos de casamento por muitos anos, e os vestidos escuros não mostravam a sujeira na bainha tão rapidamente quanto os leves tecidos coloridos.
A mania de escolher uma cor para o vestido de noiva mudou quando os tecidos industriais se tornaram mais baratos, as tinturas se tornaram mais claras e a lavagem tornou-se menos árdua. Um poema vitoriano, escrito algum tempo depois do período regencial, mostrou como a cor influenciou o curso do casamento (ou assim as pessoas pensavam).



Married in white, you will have chosen right.
Married in grey, you will go far away.
Married in black, you will wish yourself back.
Married in red, you wish yourself dead.
Married in green, ashamed to be seen.
Married in blue, you will always be true.
Married in pearl, you will live in a whirl.
Married in yellow, ashamed of your fellow.
Married in brown, you will live out of town.
Married in pink, your fortune will sink.


Cores para casamento para noivas ricas da Regência
Os muito ricos eram diferentes. Eles podiam pagar caros véus de laço feitos à mão, que estavam além do orçamento de uma noiva de classe baixa, e costureiras para adicionar detalhamentos exuberantes para que os vestidos fossem feitos com tecidos ricos. Nas revistas de moda popular, como a Ackermann’s Repository, fundada em 1809, chiques vestidos de casamento brancos foram mostrados como uma coisa natural. É preciso ter em mente que o branco era a cor da escolha para a maioria dos vestidos da época e da moda vigente.

Noivas reais na Regência Britânica
O vestido de casamento da princesa Charlotte foi uma pródiga criação de tecido prata, conforme descrito em La Belle Assemblee, 1816: "O vestido era prata opaca [lamé] no tecido de malha, sobre um tecido prata deslizante, bordado na parte inferior com prata opaca em conchas e flores. Corpo e mangas para combinar, elegantemente enfeitada com rendas de ponto Bruxelas. O manto era de prata forrado com tecido de cetim branco, com uma barra de bordados que correspondia ao vestido, e presa na frente com um enfeite de diamante esplêndido." Noivas reais tendiam a usar vestidos prateados, um costume que mudaria em breve.

Influência da rainha Vitoria em vestidos de casamento
Enquanto os vestidos brancos já eram freqüentemente usados pela classe superior, a rainha Vitória mudou para sempre o curso da moda para casamentos com a escolha do vestido, em 1840: ela queria que ele fosse feito de tecido branco por causa de um laço particular que ela tinha escolhido como adorno. Após seu casamento com o príncipe Albert, sua imagem fotográfica como uma noiva foi amplamente divulgada, e a partir desse momento, os vestidos de casamento, independentemente de classe, passaram a ser associados com a cor branca.

15 de fev de 2011

O guarda-roupa de Lizzie Bennet (Linore Rose Burkard)

Esse é um post bilíngue.
Enquanto eu procurava livros sobre Jane Austen, achei romances da época da Regência escritos por Linore Rose Burkard. No site da escritora, achei as resenhas dos livros e também algunsde artigos escritos pela Linore. Elizabeth Bennet's wardrobe foi um dos que eu achei interessantes e pedi autorização da escritora pra traduzir e publicar aqui. Então, aqui está.

This is a bilingual post.
While I was looking for books on Jane Austen's novels, I found novels of the time of the Regency written by Linore Rose Burkard. On writer's website, I found reviews of books and also some articles written by Linore. Elizabeth Bennet's wardrobe was one that I found interesting and asked for authorization of the writer to translate and publish here. So, here it is.



O guarda-roupa de Lizzie Bennet


De Lizzie Bennet, a personagem principal de Orgulho e Preconceito, para a própria Jane Austen, qualquer dama da Regência dependia de um arsenal de roupas. Havia vestidos para manhã, para tarde, para o jantar, para a ceia, para bailes, ópera ou teatro. E, estes vestidos, muitas vezes, eram muito especializados para serem substituídos. Não é de admirar que a mãe de Lizzie, Mrs. Bennet, estivesse tão ansiosa para ver suas cinco filhas casadas! Ao longo de suas vidas, qualquer dama do século XIX acima da classe trabalhadora precisaria de roupas o bastante para preencher todas as categorias. “Trajes para casa”, “trajes de passeio”, “trajes sociais”, e, talvez – trajes de gala. Mas, quantos eram necessários? E, o que significa tudo isso?
Primeiro, um vestido de regência era um vestido “tornozelo no chão” com uma “cintura império”, significando que a cintura ficava logo abaixo do busto. Este estilo foi um retrato de simplicidade introduzida pelos franceses com a grande idéia de ecoar as vestes clássicas da Roma e Grécia antigas. Seu objetivo era expressar a beleza da forma humana através das roupas, em vez de escondê-la debaixo das roupas, como nos séculos anteriores.
A simplicidade da saia longa e reta e a escassez de roupas íntimas que os franceses abraçaram, cruzou o Canal da Mancha e passou a abranger uma modalidade inglesa mais modesta. As linhas clássicas de vestidos ainda eram desejadas. Mas, como a Regência continuou, o estilo cresceu com os acessórios e enfeites, voltando ao ponto de partida de suas origens clássicas.
Com efeito, o ganho em simplicidade ao abandonar ancas postiças e camadas de corsets foi perdido pela crescente especialização de vestuário. Como o título deste artigo implica, havia numerosos modos de "vestir", e eles foram todos os componentes necessários de um guarda-roupa completo. A chave para compreensão desses modos é reconhecer que os termos são categóricos, não literais. Aqui está um breve guia para ajudar tudo a fazer sentido.
O termo "undress" (trajes para casa) não significa estar sem roupa. Ele se refere ao vestuário reservados para as manhãs ou dias inteiros passados em casa. A idéia era que você não sairia em público despido. Porém, seria razoável se você fosse encontrada em casa com um traje matutino.
"Trajes de festa" se referem ao vestuário adequado para usar em público, mas não totalmente adequado para algo formal, como um baile ou um jantar chique. Esta categoria englobava caminhadas, passeios públicos, cavalgadas, andar de carruagem e vestidos para o dia.
"Trajes sociais" eram para os eventos mais formais, como assistir a um baile de fantasia, uma ópera ou teatro. Este figurino requeria luvas longas, mangas curtas, algum tipo de tiara, algumas jóias da dama, sandálias de cetim ou outro tecido rico, e, claro, um lindo vestido com um decote profundo.
“Trajes de gala” era um estilo particular reservado apenas para visitas à Corte real. As damas da Regência em um vestido da corte poderiam quase ser confundidas por suas antepassadas do século XVIII, com saias rodadas e com cauda e uma única pluma em suas tiaras. O estilo da corte inglesa não mudou oficialmente até depois da morte do rei George IV.
Algumas pessoas gostam de fixar roupas da Regência em apenas duas categorias: "trajes para casa" e "trajes sociais". Nesse arranjo, “trajes para casa” incluiriam todos os vestidos usados durante o dia. E "trajes sociais" abrangeriam todos os vestidos de noite e para a Corte. O ponto de partida foi que uma dama, jovem ou idosa, precisaria de uma variedade de vestidos para ser ativa na sociedade. Em uma pequena cidade, como Longbourne onde os Bennets viveram, as categorias de vestidos poderiam sobrepor-se mais do que seria, digamos, necessário para uma debutante da alta sociedade em Londres. No entanto, havia uma variedade de roupas dentro de cada categoria. E se as famílias tivessem mais de uma filha, provavelmente enfrentariam um desafio financeiro. (A propósito, as roupas masculinas eram muito caras, mas isso é para outro artigo!)
Para tornar as coisas mais difíceis, alguns catálogos de moda foram tão longe como diferenciar entre uma categoria, de modo que um determinado estilo de vestido de noite, por exemplo, era apropriado apenas para ópera. Outro estilo do vestido foi o melhor apenas para uma esfera. Fale sobre confusão!
Em teoria, você estava com um “trajes para casa” de manhã, “trajes de passeio” de tarde, e “trajes sociais” para eventos chiques à noite. No entanto, de acordo com Georgian Index, um recurso online maravilhoso para os fãs da Regência, vestidos para jantar e para a ópera se enquadram na categoria “trajes de passeio”, e somente vestidos para as tardes, bailes e Corte passou como “trajes sociais”. Você ainda está boiando?
Ah, tantos vestidos, tão pouco tempo! Não admira que a tão importante temporada da Regência incluísse uma variedade de entretenimentos e atividades de fazer a cabeça girar! Uma dama certamente faria uso de seus vestidos, de todas as categorias. A exceção era o vestido da Corte, para a qual somente aqueles que haviam sido introduzidos aos soberanos em uma apresentação formal usariam, ou se participassem de funções reais da Corte.
Apesar da familiaridade de espectadores do cinema moderno com o estilo regencial inglês, foi a corte francesa que influenciou a moda regencial inglesa. Josephine, a bela esposa de Napoleão, começou usando uma “nova” tendência, apelidada de “estilo imperial” em honra ao império de Napoleão!