14 de ago de 2019

Tolkien among the moderns (Ralph C. Wood)


Título: Tolkien among the moderns
Autor: Ralph C. Wood
Editora University of Notre Dame Press, 312p.

Enquanto muitos críticos conseguem perceber que a obra de Tolkien está imbuída de sua visão moral e religiosa, é menos evidente para eles que o autor confronte as principais preocupações filosóficas e literárias abordadas pelos escritores e pensadores modernos. Pelos nove capítulos, este livro coloca as obras de Tolkien em compromisso com os dilemas modernos. Estes nove ensaios nasceram de um seminário chamado “Reading Tolkien and Living the Virtues, resultado de encontros de acadêmicos de várias faculdades e universidades americanas e também de várias disciplinas, patrocinado pelo Programa Lilly Fellows em Humanidades e Artes, realizado na Universidade Baylor.

Este livro foi um achado. Confesso que fiquei um pouco confusa no início da leitura, mas por sorte, desde a introdução, já fica claro que o objetivo do livro é justamente mostrar que Tolkien aborda SIM as mesmas questões que escritores modernos apresentam em suas obras. Ele tem poucos capítulos, mas cada um analisa de forma inteligente e objetiva o aspecto da obra que se propõe. Meus dois capítulos favoritos: Helen Lasseter Freeh analisa O Silmarillion e conclui que nada está determinado e que cada pessoa é livre para fazer suas próprias escolhas; Michael Thomas compara Dom Quixote e seu escudeiro com Frodo e Sam. Livro completamente recomendado.

12 de ago de 2019

Jane Austen and the english landscape (Mavis Batey)


Título: Jane Austen and the english landscape
Autora: Mavis Batey
Editora Amer Bar Assn, 135p.

Sinopse: Landscape historian Batey explores real and fictional settings of Austen's novels. In each chapter she uses a different Austen novel to discuss the style of gardens and landscapes during the early 19th century and Regency England. A continuing theme is the tension between Georgian propriety and the challenging Romantic ideals as they played out in the English landscape. Photos and reproductions of paintings supplement the text.

Este livro é uma verdadeira maravilha. Através de um conjunto de belas ilustrações, Mavis Batey fornece explicações muito bem detalhadas de como Jane Austen estudou a aparência das paisagens naturais e artificiais e como se pode visualizar ambas de forma crítica. A própria autora era uma especialista no assunto (Mavis foi consultora da BBC para a adaptação de Orgulho e Preconceito de 1995, além de prestar um grande serviço no trabalho de restauração do parque Nuneham Courtney e se tornar membro da Garden History Society). Livro completamente indicado.

12 de jul de 2019

J.R.R. Tolkien’s The Lord of the Rings


Título: J.R.R. Tolkien’s The Lord of the Rings
Editora Chelsea House Publications, 208p.

Esse é o terceiro livro que leio que faz parte da série editada por Harold Bloom, Bloom’s Modern Critical Views (a introdução é dele também). Diferente do outro livro já resenhado sobre Tolkien, esta edição traz 11 artigos, a cronologia de Tolkien e uma bibliografia, além de um pequeno resumo sobre cada um dos autores.

Why is the Rings being widely read today? At a time when perhaps the world was never more in need of authentic experience, this story seems to provide a pattern of it.

O primeiro artigo, "Epic Pooh", de Michael Moorcock, já começa respondendo uma pergunta que eu acho que todo leitor de Tolkien, na verdade, todo leitor já ouviu: por que se repete a leitura de um livro? Por que se lê um livro com ideias que parecem tão arcaicas nos nossos tempos modernos? E o próprio autor responde. Fiquei surpresa com a maioria dos textos desse livro, porque apesar de algumas dos assuntos já terem sido levantados em discussões de fãs (como a questão dos “lados negros” de Gandalf e Galadriel), outros eu nunca tinha visto pelos ângulos abordados (em “Queer” Hobbits: The Problem of Difference in the Shire). Mais um livro completamente recomendado.

10 de jul de 2019

Jane Austen


Título: Jane Austen
Editora Chelsea House Publications, 315p.

The oddest yet by no means inapt analogy to Jane Austen’s art of representation is Shakespeare’s—oddest, because she is so careful of limits, as classical as Ben Jonson in that regard, and Shakespeare transcends all limits.

Esse livro faz parte da série editada pelo famoso Harold Bloom, Bloom’s Modern Critical Views. Ele também faz a introdução do livro, discutindo a relação entre Austen e Shakespeare, Samuel Richardson e Dr. Samuel Johnson.
Trazendo 12 artigos escritos por autores diferentes, o livro também conta com uma cronologia da vida de Jane Austen e uma extensa bibliografia.

Eu sempre quis ler os livros da série editada por Harold Bloom, então fiquei muito feliz quando acabei encontrando alguns sobre Jane Austen e Tolkien. Os artigos são muito bons, e cada um dos autores faz uma bela análise do que se propõe. Neste livro sobre Jane Austen, a própria introdução de Bloom já dá uma mostra do nível da publicação e me fez pensar nessa comparação entre Austen e Shakespeare.

Inspired by Wollstonecraft’s attempt to develop women’s ability to think rationally, Jane Austen portrayed the heroines of her novels, not as the women of sensibility celebrated by the romantic poets and the prevailing ideological doctrine of the separate spheres which consigned women to the role of promoting the domestic affections. Instead her heroines are women of sense, women like Elinor Dashwood who refuse to succumb to erotic passion. Even those heroines who are seduced by Gothic romances and fairy tales of romantic love, like Catherine Morland in Northanger Abbey, are capable of recognizing the errors of their youthful delusions.

Os dois artigos que mais gostei, surpreendentemente, foram "A Model of Female Excellence: Anne Elliot, Persuasion, and the Vindication of a Richardsonian Ideal of the Female Character" (Anne Elliot não é nem de longe minha heroína favorita) e a comparação entre Austen e Shelley em "Why Women Didn’t Like Romanticism: The Views of Jane Austen and Mary Shelley" (na verdade, ess eé o melhor artigo e só meu deu vontade de sair mostrando pra todo mundo ver que Jane Austen não é livro de romancezinho besta). Livro muito indicado.

10 de abr de 2019

J.R.R. Tolkien


Título: J.R.R. Tolkien
Editora Chelsea House Publications, 179p.

Though written in prose, The Lord of the Rings is unquestionably heir to Western epic traditions, both classical and medieval-vernacular.

Com 10 artigos sobre Tolkien, o livro editado e introduzido por Harold Bloom, da série "Bloom’s Modern Critical Views", analisa e discute tanto a forma de escrita de Tolkien quanto suas obras, e traz textos de especialistas em Tolkien como Jane Chance e Verlyn Flieger.

The Hobbit continues to be a story written for extremely intelligent children of all ages [...]

O melhor artigo desse volume se chama Tolkien, Epic Traditions, and Golden Age Myths, de Charles A. Huttar. O de Jane Chance, The King under the Mountain: Tolkien’s Children’s Story, também chama atenção porque a autora consegue mostrar que, enquanto muitos críticos notam o tom adulto da história, muitos não justificam o nível infantil, e o interessante é que O Hobbit, apesar de seu enredo, foi elaborado como livro infantil. Uma das coisas que me levou a refletir foi a colocação de Harold de que Bilbo é um personagem de quem é mais fácil gostar do que Frodo, porque Bilbo é o hobbit com quem as coisas acontecem, enquanto Frodo é o hobbit que faz as coisas acontecerem. 

Essa diferenciação, que também tem a ver com as suas histórias (O Hobbit é um livro infantil, O Senhor dos Anéis não), me levou a torcer a cara para o livro mais de uma vez, mesmo conseguindo entender a colocação de Bloom. Não quero abordar cada um dos artigos para evitar dar spoiler, o que posso dizer é que esse foi um dos livros de estudos sobre Tolkien que já li, completamente recomendado.