25 de mar de 2012

Ink and Fairydust – Jane Austen e J.R.R. Tolkien


Ink and Fairydust é uma emagazine que começou, de acordo com sua página oficial, como uma newsletter do Fairy Tale Novel Fan Forum: “It was produced entirely by young people who were all fans of Regina Doman's Fairy Tale Novels.
A primeira publicação foi lançada em outubro de 2009. A revista aborda vários temas e aspectos da literatura e história. Impulsionados pelo bom acolhimento, a revista já lançou volumes sobre Shakespeare, Robin Hood, dentre outros. Um dos que eu gostei bastante foi um especial dedicado a Jane Austen (março de 2010).


O outro, de Agosto de 2010, tem como tema super heróis da literatura. Nessa edição, o artigo que mais gostei fala das mulheres da obra de Tolkien.

A revista vale muito a pena uma lida. Entrei em contato com a editora para saber se poderia traduzir alguns dos artigos e postá-los aqui no blog e recebi uma excelente proposta: ela perguntou se eles poderiam criar um volume inteirinho especialmente para os seguidores do blog, sendo que eu traduziria os artigos e postaria aqui. Nem preciso dizer o quanto gostei da idéia. Agora é ver como vai ficar. 
Sobre futuros volumes, no site existe a lista com os temas para o resto do ano até a edição de Janeiro/Fevereiro de 2013! Quem quiser conferir, é só clicar aqui. Mal posso esperar pela edição de Julho/Agosto de 2012, que abordará Tolkien, Lewis e Rowling! 
Ah! Quem quiser ler ou fazer o donwload, é só se cadastrar no Issuu, escolher qualquer volume e pronto. Eles também têm contatos para quem quiser se envolver no projeto e contribuir com a revista.

15 de mar de 2012

Chawton House’s Library no Issuu


Na página da Chawton House’s Library no Issuu existem várias publicações interessantes. Uma que me chamou atenção chama-se The Female Spectator. Os artigos, sobre escritoras e suas obras no século XVIII, podem ser lidos online. Pode ser feito o download de alguns volumes no site da publicação.

Para quem não conhece, o Issuu é um site semelhante ao Scribd e ao Slideshare, onde você pode ler online e fazer download de várias revistas do mundo inteiro, além de poder fazer upload dos seus próprios documentos e partilhar com quem quiser e onde quiser.

Cormarë Series e Tales of Yore

Cormarë Series 01 - News from the Shire and Beyond

Os livros da série Cormarë apresentam trabalhos não ficcionais sobre Tolkien e o mundo fantástico criado pelo autor. Até agora, são 24 livros publicados. Os editores, Walking Tree, também publicam uma coleção de contos inspirados na obra do autor, a Tales of Yore, que podem ser vistos aqui.

Revista Jane Austen Portugal - Edição 11


Mais uma edição da Revista Jane Austen Portugal. Edição de Dezembro de 2011.
A próxima edição será, novamente, sobre Orgulho e Preconceito. Abordando o destino das irmãs Bennet após o casamento. Para mais informações, basta dar uma olhadinha no site da revista.

13 de mar de 2012

Um filólogo sobre o Esperanto


Enquanto pesquisava as datas certas e outros dados de publicação dos primeiros livros de Tolkien para o guia bibliográfico que estou montando sobre o autor, encontrei no site Tolkien Books um artigo falando sobre a relação entre Tolkien e o Esperanto.
Surpresa, descobri que partes de uma carta que Tolkien escreveu ao secretário do Comitê de Educação da Associação Britânica de Esperanto foram publicadas na revista The British Esperantist, com o título A Philologist on Esperanto. Segundo o texto no site, a carta foi precedida por uma nota afirmando que Tolkien tinha sido nomeado para o Conselho de Assessores honorário do Comitê de Educação da Associação mencionada acima.

O texto continua explicando a trajetória da carta (sua redescoberta e republicação), mas a parte mais interessante é essa:

“Volume 17 of the journal VII was published in 2000 - this includes a long article by Arden R. Smith and Patrick Wynne entitled Tolkien and Esperanto. It opens with a brief summary of the early history of Esperanto and then moves on to Tolkien's first experiences with invented languages - namely Animalic, Nevbosh and Naffarin. The article then reproduces some examples of Tolkien's use of Esperanto from the Book of Foxrook (one of Tolkien's notebooks, dating from 1909) together with some analysis. The authors go on to look at Tolkien's opinion of Esperanto, which appears to have been supportive in the 1930s, as evidenced by the essay A Secret Vice and the British Esperantistletter. The article reproduces the letter in full, and discusses some of the points that Tolkien makes. This is followed by some quotations from a revised version of A Secret Vice (from the 1940s) and a letter written in 1956, which seem to indicate that Tolkien's views had hardened somewhat, and that he was no longer sure that Esperanto and other international languages were "a good thing".


Nem preciso dizer que sai rastreando esse artigo. No site Tolkien Books, um fac-símile da carta é reproduzido. Continuando minha busca, encontrei a carta na íntegra no site (em esperanto) These are the archives of the Harlow family.
Com os devidos créditos, reproduzo o texto aqui:



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5 de mar de 2012

Captain Wentworth’s diary (Amanda Grange)


Título: Captain Wentworth’s diary
Autora: Amanda Grange
Editora Berkeley Trade, 304p.

Anne, always Anne.

O jovem Frederick Wentworth conhece Anne Elliot em uma pequena reunião. Ele primeiro pensa que ela é dama de companhia de Elizabeth Elliot, mas logo descobre seu engano. Primeiro com a intenção de flertar com Anne (sem dúvida, penalizado com a situação da moça desconsiderada pelo pai e pela irmã), mas o jeito delicado de Anne o encanta. Encontros casuais fazem com que a afeição por ela cresça a cada dia. Nesse meio tempo, Lady Russel começa a perceber (e desgostar da) a atenção que Wentworth dá a Anne sempre que eles estão no mesmo local. Mesmo ciente desse fato, o então comandante resolve não desistir de Anne. Então, ele a pede em casamento. Anne aceita e seu pai consente (em termos não muitos amigáveis). A felicidade é enorme, até a moça cancelar tudo. Graças à Lady Russel. Wentworth a confronta, mesmo magoado. Ele parte.
Anos depois, agora já capitão, Wentworth recebe um convite da irmã para se hospedar na casa dela, antiga propriedade de Sir Elliot. Suas lembranças afloram, e mesmo tentando parecer indiferente ao destino de Anne, ele não consegue segurar sua curiosidade. Ele fica feliz ao descobrir quem realmente é Mrs. Musgrove. Finalmente, eles se encontram novamente, mas tudo que Wentworth pode sentir é desgosto, pois Anne não demonstra mais ter todo o brilho que um dia ele conheceu. Vendo a constante desatenção sofrida pela moça, ele tem vontade de defendê-la. Mesmo conversando com outros e sendo requisitado por todos, sua atenção permanece com Anne. Wentworth começa a perceber que continua dedicando a moça os mesmos sentimentos de antes. Mais do que isso, seus sentimentos agora também são contraditórios: raiva, frustração, esperança. E ciúmes, muito ciúmes. Até finalmente perceber que Anne nunca saiu de sua cabeça e que ele continua querendo-a como esposa.


Me surpreendi quando ele primeiramente pensou em Anne como um simples flerte. Mesmo que ele estivesse penalizado pela pouca consideração que o pai e a irmã tinham dela, fiquei com raiva porque isso não parecia um bom motivo para flertar (ato que eu considero, ao ler as novelas de Austen, como um homem querendo se divertir à custa dos sentimentos de uma jovem) e acabei me lembrando de Wickham e Willoughby.
Outra coisa que me irritou terrivelmente foi Lady Russel. Mesmo que suas intenções tenham sido as melhores, já que Anne era muito jovem, não consigo deixar de pensar nos motivos que a levaram a aconselhar Anne a não se casar. No confronto que se segue, adoro a menção à inconstância de sentimentos femininos e masculinos, discussão em Persuasão que eu me derreto todas as vezes que leio. Outro ponto alto: Wentworth estava desesperançado com a inconstância de Anne e queria se apaixonar por uma jovem determinada. Achando que fosse encontrar isso em Louisa Musgrove, mais tarde percebe que uma determinação incansável pode não ser, afinal de contas, uma grande qualidade. Como se não precisasse de mais nada para ele direcionar seu pensamento para Anne. Também gostei de Amanda ter mantido Wentworth como o homem determinado e com os sentimentos intensos (os quais só temos real consciência na carta) que Jane Austen nos presenteia. Um livro muito bom, uma leitura maravilhosa. Muito recomendado.

Title: Captain Wentworth’s diary
Author: Amanda Grange
Berkeley Trade, 304p.

Anne, always Anne.

The young Frederick Wentworth know Anne Elliot in a small meeting.He first thinks she is handmaiden to Elizabeth Elliot, but soon discovers his mistake. First with the intention of flirting with Anne(undoubtedly penalized with the situation the girl ignored by her father and sister), but the the sweet character of Anne charms him. Casual encounters makes the affection for her grows every day. Meanwhile, Lady Russell begins to realize (and dislike of) the attention Wentworth gives to Anne whenever they are in the same place. Acknowledging this fact, the then commander decides not to give upAnne. Then he asks her to marry. Anne accepts and consents to his father (in terms not many friendly). Happiness is huge, until the girl cancel everything. Thanks to Lady Russell. Wentworth confronts her, even hurt. He leaves.

Years later, now captain, Wentworth recives a invitation from his sister to stay at her house, formerly owned by Sir Elliot. Her memories arise, and even trying to appear indifferent to the fate of Anne, he can not hold his curiosity. He is happy to find out who really is Mrs. Musgrove. Finally, they meet again, but all Wentworth can feel is regret, because Anne shows no longer have all the glitz that one day he met. Seeing the constant neglect suffered by the girl, he wants to defend it. Even talking to others and being asked by everyone, his attention remains with Anne. Wentworth begins to realize that he continues to dedicate the same feelings for her as before. More than that, his feelings now are also contradictory: anger, frustration, hope. And jealous, very jealous. Until finally realize that Anne never left his head and he still wants her as his wife.



I was surprised when he first thought of Anne as a simple flirtation.Even though he was hampered by the lack of consideration that the father and sister had of her, I was angry because it did not seem agood reason to flirt (act I think, when reading the novels of Austen, as a man wanting to have fun at the expense of feelings of a young man)and I'm remembering Wickham and Willoughby.
Another thing that annoyed me terribly was Lady Russell. Even if his intentions were the best, as Anne was very young, I can not help thinking of the reasons that led to advice Anne not to marry. In the confrontation that follows, I love the mention of the inconstancy of feminine and masculine feelings, discussion that in Persuasion I melt every time I read. Another highlight: Wentworth was hopeless with the fickleness of Anne and wanted to fall in love with a determined young woman. Thinking it was found that in Louisa Musgrove later realizes that relentless determination can not be, after all, a great quality. As we did not need anything else for him to direct his thoughts to Anne. I also liked the fact that Amanda have kept Wentworth as the determined man with intense feelings (which we only have real awarenessin the letter) that Jane Austen presents us. A very good book, a wonderful reading. Highly recommended.

Mr. Darcy’s diary (Amanda Grange)



Título: Mr. Darcy’s diary
Autora: Amanda Grange
Editora Sourcebooks, 320p.

Darcy consegue impedir sua irmã Georgiana de fugir com Mr. Wickham. Após esse infeliz acontecimento, ele parte para Netherfield com o amigo Mr. Bingley. No baile de Meryton, ele conhece a família Bennet. Sem demonstrar interesse por Elizabeth Bennet, ele passa a admirar a moça quando eles convivem brevemente em Netherfield, por ocasião da doença de Jane Bennet. Após um breve período de tempo, em que Mr. Darcy não consegue esquecer os belos olhos de Elizabeth, eles se encontram em Rosings e Darcy faz o desastroso pedido de casamento. Aturdido com a recusa da moça, ele passa a reconsiderar seus valores e sonha em ter Elizabeth como esposa, mesmo que ele considere isso impossível. Até sua querida tia Lady Catherine de Bourgh se intrometer. Finalmente, Darcy e Lizzie se casam e partem para Pemberley.

The Mr. Darcy’s diary. Quando li o título desse livro, minha curiosidade foi ao auge. O que poderia ser mais interessante do que tudo que li em Orgulho e Preconceito do ponto de vista de Mr. Darcy????? Adorei o livro inteiro.
A convivência dos dois, como tudo o mais, é retratado fielmente por Darcy em seu diário. É muito bom poder ver mais do estilo de escrita dele em suas cartas, principalmente NA carta. Ah, a carta... Os autores de sequels se preocupam bastante com a redação da carta que ele escreve para Elizabeth justificando suas atitudes. Ao mesmo tempo em que ele escreve, o leitor percebe a agonia de Darcy durante a escrita de cada parte. E o fato do livro ser um diário só tornou essa parte mais interessante, porque em outras sequels, nós vemos indiretamente seu tormento. Sempre achei que nessa carta ele abria seu coração como se estivesse escrevendo algo que só ele fosse ler (como um diário). Então, o livro expressa seus pensamentos e a carta se torna uma extensão dele (do diário).
Outro fato que gostei bastante foi o Coronel Fitzwilliam abrindo seus olhos logo no dia seguinte ao pedido, fazendo Darcy pensar no modo totalmente errado que fez sua proposta, o que abre outra brecha. Nunca pensei, lendo O&P, que o Coronel soubesse do acontecimento em Rosings. Mas Amanda Grange consegui me fazer pensar que isso ocorreria, dado o testemunho que o coronel pode dar acerca do que Darcy escreveu na carta.
Outro fato que recomenda muito esse livro: Anne, prima de Darcy e sua “prometida”, finalmente toma uma atitude frente às imposições da mãe. Lady Catherine simplesmente tem que aceitar que sua filha, longe de ser uma jovem doente, também ama e tem vontade própria. O desfecho para ela e para o Coronel Fitzwilliam não foi o que eu imaginava, mas mesmo assim adorei.
De modo geral, esse livro é muito recomendado. Poder conhecer os mais íntimos pensamentos de Darcy e seus sentimentos em relação aos seus amigos, sua família e principalmente a Elizabeth Bennet me fizeram amá-lo cada vez mais. E consolidou sua posição em primeiro lugar na minha lista de heróis austenianos (e literários).

Title: Mr. Darcy’s diary
Author:
Amanda Grange
Sourcebooks, 320p.

Darcy manages to prevent his sister Georgiana to get away with Mr.Wickham. After this unfortunate event, he goes to Netherfield with his friend Mr. Bingley. In Meryton ball, he knows the Bennet family. Showing no interest in Elizabeth Bennet, he begins to admire the girl when they live briefly in Netherfield, when Jane Bennet's gets sick. After a brief period of time, in which Mr. Darcy can not forget the beautiful eyes of Elizabeth, they are at Rosings and Darcy makes a disastrous marriage proposal. Stunned by the refusal of the girl, he begins to reconsider their values and dreams of having Elizabeth as his wife, even though he considers it impossible. Until his beloved aunt Lady Catherine de Bourgh to intrude. Finally, Darcy and Lizzie get married and leave for Pemberley.

The Mr. Darcy's Diary. When I read the title of this book, my curiosity was at its height. What could be more interesting than anything I've seen in Pride and Prejudice from the perspective of Mr. Darcy??? I loved the whole book.
The coexistence of the two, like everything else, is faithfully portrayed by Darcy in his diary. It's great to see more of his writing style in his letters, especially in THAT letter. Ah, the letter ... The authors of sequels are concerned enough with the wording of the letter he wrote to Elizabeth justifying their actions. While she writes, the reader realizes the agony of Darcy during the writing of each party. And the fact that the book is a diary only made this most interesting, because in other sequels, indirectly we see his torment. I always thought that in this letter he opened his heart as if he were writing something that only he were to read (like a diary). So, the book expresses his thoughts and the letter becomes an extension of it (the diary).
Another fact that I really liked was Colonel Fitzwilliam opening Darcy’s eyes the next day to the request, making Darcy think about the totally wrong way he made his proposal, which opens another loophole. I never thought, reading P&P, that Colonel knew of the event in Rosings. But Amanda Grange managed to make me think that this would happen, given the testimony that the colonel can give about what Darcy wrote in the letter.
Another factor that strongly recommends this book: Anne, Darcy’s “promised” cousin, finally takes a stand against the impositions of her mother. Lady Catherine simply have to accept that her daughter, far from being a ill young lady, also loves and willingly. The outcome for her and Colonel Fitzwilliam was not what I expected, but still loved it.
Overall, this book is highly recommended. Get to know the most inner thoughts of Darcy and his feelings toward his friends, his family and especially Elizabeth Bennet made me love him even more. It consolidated its first position on my list of Jane Austen’s (and literary) heroes.