10 de set de 2012

Sexo e Jane Austen


Pois é, estou para falar sobre isso aqui faz um tempão. Todo mundo falou sobre uma versão erótica de Orgulho e Preconceito. Na verdade, seria uma versão da trilogia erótica de E. L. James (que afirmam ser uma versão mais apimentada de Crepúsculo, de Stephenie Meyer), Cinquenta tons de cinza. Primeiro, apareceram aquelas misturas entre os personagens de Austen e criaturas míticas (como vampiros), agora isso...
Enfim. Essa nova “onda” vai se estender aos clássicos. Jane Eyre, Orgulho e Preconceito, dentre outros também vão ganhar versões apimentadas. Apesar de algumas janeites (como eu) estarem torcendo o nariz para isso (principalmente depois que eu soube que Christian Grey foi baseado em Edward Cullen), outras pessoas estão adorando. No entanto, percebi alguma hipocrisia no fato de que a maioria das austenianas não estão gostando desse papo porque não conseguem ver sexo nas obras da escritora (?!). Críticas a parte, a Adriana publicou no site do Jane Austen Sociedade do Brasil a tradução do artigo (bastante pertinente, por sinal) de Howard Jacobson, Se você acha que não há sexo em Jane Austen, você está errado sobre o amor, sexo e Jane Austen (o artigo original pode ser lido aqui).
Eis um trecho: 

“Há poucas cenas na literatura que são, ao mesmo tempo, tão dolorosas e tão emocionantes, tão precárias e, sim, tão excitantes, como as de ‘Persuasão’ em que o Capitão Wentworth impõe as mãos sobre as de Anne Elliot pela primeira vez desde que se afastaram. Em uma delas, ele alivia-a do peso de uma criança problemática, puxando-a de suas costas e arrancando suas mãos do pescoço dela - um desempenho tátil de consideração que a deixa "perfeitamente sem palavras", à mercê dos "sentimentos mais desordenados". Em outro momento, vendo que ela está cansada, novamente sem palavras, ele a coloca em uma carruagem. Se submissão à vontade de um homem é a sua bagagem, então aqui está: "Sim - ele tinha feito isso. Ela estava na carruagem e sentia que ele a havia colocado ali, que a sua vontade e suas mãos tinham feito isso". 

Para ler uma resenha inteligente do livro Cinquenta tons de cinza, clique aqui. E também uma comparação tetê-a-tete entre Crepúsculo e Cinquenta tons

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