2 de out de 2010

A unlikely heroine: Jane Austen’s Emma (Costume Chronicles) IV

Publicado no Costume Chronicles, vol. 2, 2010.
A melhor análise da nova adaptação de Emma que eu já li.

Published in Costume Chronicles, vol. 2, 2010.
The best review of the new adaptation of Emma that I have ever read.

Uma heroína improvável: Emma de Jane Austen (A unlikely heroine: Jane Austen’s Emma)
Autora (Author): Hannah Kingsley

Emma Woodhouse é uma heroína improvável. Mesmo a especulativa Jane Austen sentiu que sua personagem não seria muito apreciada pelos outros. No entanto, ela deve ter visto o valor de Emma, e o resultado de sua escrita produziu a querida novela de mesmo nome. Desde então, o livro foi transformado em mais de uma adaptação para o cinema com uma variedade de membros do elenco interessante e estilos diferentes de narrativa visual.
O que faz de Emma Woodhouse uma heroína improvável é que o livro Emma é diferente de muitas novelas de época de Jane Austen. Era comum durante os séculos XVIII e XIX que os livros retratassem heroínas como tendo um caráter de quase perfeita moral, mas Jane Austen nos apresenta aquele que é flagrantemente imperfeito. Há aqueles que estão divididos sobre se deve ou não gostar da ficcional Emma Woodhouse, como Jane Austen havia antecipado, mas apesar da forma como a autora pensou que o público pudesse ver Emma, Miss Emma Woodhouse ganhou muitos fãs e é conhecido como uma fantástica heroína literária escrita.
Aqueles familiarizados com o cânone literário de Jane Austen podem saber que seu romance A Abadia de Northanger zomba do conceito de romance gótico. Emma está de acordo com esta tendência de comédia e satiriza a idéia do que significa ser uma heroína. Uma razão pela qual o livro foi bem-sucedido satirizando heroínas é porque é assim que Emma se assemelha a nós mesmos, inclusive quando estamos no nosso pior. Jane Austen mostra que é possível resgatar alguém que mancha sua própria reputação. Nós podemos desejar que isso seja verdade de nós mesmos, e o realismo humorístico que encontramos em Emma nos dá esperança para o nosso próprio mundo, e para o que às vezes podem parecer imperfeições irreparáveis.
No clássico de Jane Austen, a autora enfatiza ao invés de disfarçar nossas faltas, e consegue retratar o lado humano de seus personagens. Este tema brilha fortemente na adaptação da BBC de 2009, que assume a forma de uma peça de quatro partes e 240 minutos de série de televisão. Ao contrário de outras versões, esta mostra os disparates da heroína, assim como sua forte, deliciosa capacidade enquanto personagem. Mais importante, ela traz a inteligência e bom humor encontrados no livro original de Jane Austen com um impulso de energia nova.
O novo filme é bonito de olhar. As cores são vibrantes, os figurinos e iluminação espetaculares, e refletem a personalidade alegre de Emma. O elenco também é bem escolhido. Romola Garai faz talvez a Emma mais convincente ainda, e Johnny Lee Miller confortável e espetacularmente preenche o papel de Mr. Knightley. O foco do filme não se torna muito as imperfeições relatáveis desconfortáveis de Emma e seus erros ridículos, nem o orgulho de Mr. Knightley, mas a comédia da vida de Emma e da situação em uma escala maior. O filme passa muito tempo olhando para a maneira que as interações de amizade entre Emma e Mr. Knightley moldam sua amizade, e como o riso é central para o relacionamento dos dois personagens. Frequentemente Emma e Knightley usam humor para chegar a um acordo nos conflitos de personalidade, bem como as suas perspectivas de mundo e das pessoas nele. Suas diferenças, influenciadas por suas origens, os anos de idade, a expectativa de vida e os papéis sociais podem causar conflitos, mas são complementares; e enquanto Emma e Mr. Knightley podem argumentar há sempre uma fundação sólida de camaradagem real na base de sua amizade. Sua cálida amizade é bem desenvolvida nessa adaptação.
Algumas das linhas do livro foram reescritas para um melhor aproveitamento da série. Os diálogos fluem com facilidade e ajudam a preencher os personagens.
Mais que um amigo, Mr. Knightley é um obstáculo necessário e divertido pra evitar que Emma fique totalmente entregue a sua própria sorte. O dom natural de Emma para a auto-humilhação através de sua correspondência com excesso de zelo, pressupostos defeituosos e completa cegueira são cuidadosamente equilibrados pela crítica fria de Mr. Knightley a educação de Emma na ausência uma forte figura parental.
Emma Woodhouse é uma das personagens mais livres de Jane Austen, sem qualquer figura familiar autoritária e sem ninguém para vigiá-la verdadeiramente, com exceção do seu pai passivo e hipocondríaco. Isto permite a Emma ser independente e capaz de agir da forma que quiser sem o mínimo de reprovação, exceto Mr. Knightley e suas críticas. O leve desencorajamento de Mr. Knightley do freqüente comportamento excêntrico de Emma serve tanto para protegê-la quanto para moldá-la em uma jovem mulher confiante e bem sucedida.
Emma e Mr. Knightley não são exemplos exclusivos de personagens com qualidades humorísticas nem no romance nem nesta adaptação em particular. As atenções obsequiosas de Mr. Elton oferecem alívio cômico e a bajulação de Frank Churchill fala claramente ao orgulho de Emma. Outros personagens como Miss Bates (uma fonte de tagarelice sem fim) e o tímido de temperamento Mr. Woodhouse contribuem para esta retratação da sociedade do século XIX através das lentes do ridículo. Esta adaptação vai superar as expectativas de muitas pessoas e faz um trabalho maravilhoso em que retrata a história de Emma como uma comédia leve e divertida cheia de familiares e amigos divertidos que chamam a atenção para nossas falhas e zombam de nosso orgulho. Para citar um amigo, Emma confunde um grande momento, mas nós a amamos do mesmo jeito.

3 comentários:

  1. Natallie,
    (Primeiramente,aqui é a Sofia lá do fórum do JASBRA he,he :P ).
    Interessantíssimo este texto que você postou! Além de falar sobre a obra também apresenta uma ótima análise sobre a nova adaptação de Emma, que certamente superou as expectativas - que já estavam altas. Gostei muito da seguinte parte:

    "No clássico de Jane Austen, a autora enfatiza ao invés de disfarçar nossas faltas, e consegue retratar o lado humano de seus personagens."

    Ao meu ver, é este retrato humorístico da verdadeira face do ser humano que faz com que nos identifiquemos com Emma, heroína que não apresenta-se como perfeita, demonstrando as suas falhas e o seu crescimento no decorrer do livro. Concordo com o autor do texto em suas opiniões sobre a nova adaptação. Os personagens foram retratados com fidelidade pelos atores, principalmente a nossa Emma!

    Gostaria também de parabenizá-la pelo seu blog, gostei bastante! Posts muito interessantes.
    Sofia

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  2. Oi, Sofia. Obrigadinha pela visita e que bom que você gostou do blog e do post :)
    O texto original é de um site que se dedica a falar de filmes e dos seus figurinos. Elas publicam uma webzine que tem muitos artigos interessantes.

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  3. Oi Natallie. Você pediu meu e-mail: brunatavares_tj@yahoo.com.br
    Me fala mais sobre seu projeto.

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