12 de jan. de 2010

As Fontes mitológicas de Tolkien


Sabe-se que as fontes mitológicas no conjunto de obras de Tolkien, referentes à Terra-Média, são variadas e inumeráveis. Existem influências nórdicas, escandinavas, germânicas, gregas, romanas, hindus e egípcias. Pretendo expor aqui algumas das principais influências em seus personagens, criaturas e lugares.

No início de tudo, existe o Criador e seu Mundo

• A Música de Ainur: música que deu origem ao mundo. Seu precedente é a Música das Esferas, um sistema de tom e número que dá ao universo todas as suas estruturas, tanto lógica quanto metafísica.
• Eru/ Ilúvatar: ser onisciente, Deus. Encontra ressonância no deus babilônico da criação Ea e ao Jeová bíblico.
• Sete Valar e Sete Valier: seres responsáveis pela criação da Música de Ainur. Os primeiros encontram precedentes nas sete esferas de cristal da Música das Esferas, cada um governado pelo temperamento de um deus em particular (Diana, Apolo, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno). As Valier referem-se ao dobro de intervalos musicais dentro das esferas de cristal, o que está de acordo com os 14 sistemas de semitons (escala de Pitágoras). Junto a eles, existem também os Maiar, comparáveis aos Aesir e Vanir germânicos.
Manwë é comparado a Zeus e Odin. Sendo irmão e rival de Melkor, têm ressonância em Odin e Loki. Melkor/ Morgoth é associado a Lúcifer/Satã da tradição judaico-cristã. Ulmo é comparado a Posseidom; Namó, a Hades (sua habitação é Mandos, comparado a Valhalla); Aulë, a Hefesto; Tulkas,a Thor e Heracles; Oromë,a Órion. Varda e Feyja, da mitologia germânica, são esposas dos deuses supremos. Vairë tece telas repletas de histórias, como as Nornas germânicas. As irmãs Yavanna e Vána correspondem a Deméter e Perséfone, respectivamente.

O tempo e o lugar

• Avallonë: porto de onde os elfos saiam em direção à Númenor. Era o paraíso na terra comparável a ilha Avalon, dos mitos do Rei Arthur.
• Númenor: reino de homens, poderosos reis do mar que se tornaram orgulhosos em demasia buscando a imortalidade. História semelhante ao mito do reino perdido da Atlântida. As quedas de ambos impérios têm repercussão na tradição de um dilúvio universal, presente em várias culturas, onde uns poucos sobreviventes “escolhidos pelos deuses” se põem ao mar em fuga.
• Terra-Média: encontra ressonância na Midgard nórdica (o segundo nível do universo).
• Condado: baseado nas West Midlands, onde Tolkien cresceu.
• Valfenda: como a “Última Casa Amiga a Leste do Mar”, é um refúgio e um lugar de aprendizado, semelhante a Universidade de Oxford. Seu nome élfico é Imladris (cuja localização faz uma alusão a Fenda do vale de Luz, única passagem que cerca as Terras Imortais) e onde reside mestre Elrond, conselheiro e “oráculo” sobre o futuro da Terra-Média. Por isso, encontra paralelo ao Oráculo de Delfos, outra fenda de luz sagrada.
• Floresta das Trevas e Floresta de Lothlórien: comum na literatura germânica antiga e medieval, as florestas podem ser lugares perigosos ou de paz. Para os celtas, no entanto, as florestas forneciam tudo aquilo necessário à sobrevivência.
• Gondor e Arnor: encontram paralelos no Império Romano Ocidental e Bizantino, respectivamente. Minas Tirith, como guardiã de sabedoria ancestral, é equivalente à Florença; como simples capital de um país outrora poderoso, à Viena na Áustria. Sua Árvore Branca é semelhante a Oliveira, em Atenas.
• Rohan: seus cavaleiros são comparáveis aos godos e aos lombardos na caracterização, e similares aos anglo-saxões. Seu salão de Meduseld é comparável ao salão de Hrothgar, Herot.
• Moria: reino dos anões, cujo amor pelo ouro por tesouros encontram ressonância nos ancestrais dos vikings.

Criaturas e Seres

• Águias: emissárias de Manwë, animais associados ao poder do rei dos deuses e dos reis e imperadores mitológicos e reais, uma vez que os governantes imperiais terrenos reclamavam para si poder divino.
• Balrogs: espíritos de fogo Maiar, associados aos gigantes de fogo de Muspellsheim nórdicos. São a antítese do arcanjo Miguel bíblico. A batalha entre Gandalf (fogo branco) e o balrog de Moria (fogo negro) na ponte de Khaza-dûm assemelha-se ao duelo entre Surt e Freyr na Ponte do Arco-íris (ambas têm final infeliz e acontecem ao soar de trombetas poderosas, a de Gondor e dos Aesir, respectivamente).
• Smaug e Glaurung: o primeiro assemelha-se a Fafnir, o Dragão da Fúria, por ter se apossado de um tesouro que não lhe pertence, enquanto Glaurung assemelha-se ao dragão sem-nome de Beowulf por ter sua morte ter custado muito aos heróis responsáveis.
• Rei-Bruxo de Angmar: assemelhado a Janibus o Necromante, do conto do herói Dietrich Von Berne e da Rainha do gelo de Jeraspunt.
• Telperion: Árvores de Prata e de Ouro, recorrentes à Yggdrasil, árvore do mundo nórdica, e às Árvores da Vida e do Conhecimento hebraicos.

Objetos
• Silmarils: recorrente ao Graal, pois ambas as demandas pelos objetos, considerados sagrados para seus respectivos povos, causaram a ruína daqueles que os buscaram.
• O Um Anel: o objeto mais importante de toda a história da Segunda Era da Terra-Média. Mantinha sob seu jugo outros anéis de poder presentes nesta mitologia, como Narya e Nenya e controlava outros anéis, como os anéis dos Nâzgul, Encontra referência em outros anéis de poder, como o Draupnir de Odin, o anel de Andvari e o Anel da Serpente (mito referente à Carlos Magno).
• Andúril: espada forjada a partir dos restos da quebrada Narsil, espada de Elendil. Encontra paralelo na espada Balmung, de Siegfried, forjada com os restos de Thirthing, de Sigmund.
• Coroa de Gondor e do Reino do Norte: em um único objeto, simbolizava ambos os reinos (a simboliza Gondor e o diadema simboliza o reino do Norte). Encontra paralelo na coroa única que simbolizava os reinos do Alto e Baixo Egitos na antiguidade.

Personagens
• Sauron, Saruman e Gandalf: assemelhados ao deus Odin. Sauron sacrificou todo o seu poder para fazer o Um Anel e se reduziu a um olho sem pálpebra quando de sua perda, enquanto Odin sacrificou um olho para beber da fonte de Mimisbrunnr. Saruman e Odin possuem um poder incomum em suas vozes. Enquanto Gandalf monta o magnífico meara Scadufax e possui o anel Narya, Odin monta o maior dos cavalos dos deuses Sleipnir e porta o anel Draupnir.
• Fëanor: artífice das mais belas gemas jamais produzidas por um elfo. A valorização da figura do artífice é recorrente na mitologia viking.
• Galadriel: rainha dos Noldor, Dama Branca, assemelhada aos espíritos encantados nas florestas da mitologia gaulesa, e à Viviane, Senhora do Lago. Possui os mesmos elementos da Branca de Neve (alguns inversos), como a rainha poderosa que possui em espelho de cristal onde se pode ver aquilo que se deseja ver, coisas do passado, presente e futuro.
• Lúthien e Beren: casal formado por uma elfa imortal e um humano mortal, que passa por duras provações para ter seu final feliz. Tema recorrente na mitologia, a exemplo de Astarte e Tammuz da Babilônia, Ísis e Osíris do Egito e Eurídice e Orfeu da Grécia. Em todos os casos, as imortais precisaram descer ao mundo do subterrâneo para resgatarem seus amados ou algum objeto que ocasionará a vida em conjunto, ou até mesmo para poderem viver com seus amados, mesmo que por um breve período (exceto no caso de Eurídice, que precisou ser resgatada e não pôde viver da vida com Orfeu).
• Eärendil: marinheiro responsável pelo pedido de perdão dos Valar para elfos e homens. Com a única Silmaril restante, ele navega pelos céus como a estrela matutina. Assemelha-se a Vênus, sendo um sinal de amor verdadeiro. Como estrela matutina, associada ao precursor do Messias bíblico, João Batista. Como estrela vespertina, brilhou no céu até o fim da história, quando seus últimos descendentes na Terra-Média, a elfa imortal Arwen Undómiel (a Estrela Vespertina de seu Povo) se une ao humano mortal Aragorn Elessar. Ele possui a característica de ser fruto de uma união entre um ser imortal com outro mortal, e dá origem a uma nova raça com essa mesma característica. Como Enéas, é o progenitor de uma nova raça que fundará um império e que detém o direito de reclamar para si parentesco com os deuses.
• Elros e Elrond/ Isildur e Anárion: irmãos na fundação de grandes nações como Rômulo e Remo na Roma antiga.
• Arwen Undómiel: semelhante à Branca de Neve por sua caracterização. Como a princesa humana, Arwen ficou por um tempo escondida em uma floresta, cercada de proteções ancestrais. E tem como parente e protetora a Rainha da Floresta Encantada.
• Túrin: herói amaldiçoado como Kullervo (herói da Kalevala) e caçador de dragões como Siegfried/Sigurd.
• Aragorn: como Arthur e Sigurd, é filho órfão e herdeiro legal do rei morto em batalha, é privado de sua herança e corre risco de ser morto, é o último de sua dinastia, é criado secretamente sob a proteção de um nobre que é um parente distante. Também se apaixona por uma grande donzela. Como Carlos Magno, foi confiado com um poder de cura.
• Boromir: assemelha-se ao cavaleiro Roland, paladino de Carlos Magno, de força heróica e que resiste em desvantagem pela última vez em batalha. Ao morrer, seu corpo é depositado num barco-túmulo que navega para o Mar. Faz referência aos ritos funerários dos vikings, também presente na partida dos elfos dos Portos Cinzentos para Aman.
• Éowyn: como Brunhild, uma donzela de batalha que desafia um ser superior e paga por isso. Seu amor sem esperanças por Aragorn também se reflete no amor de Brunhild por Siegfried (quando este se encontra enfeitiçado e não se recorda de seu verdadeiro amor).

Estes foram alguns exemplos da influência das várias mitologias nas obras de Tolkien. Claro que há espaço para interpretações mais abrangentes. Utilizando de forma tão abrangente vários aspectos mitológicos, o autor nos lega algo além de O Senhor dos Anéis: a importância de se preservar os aspectos culturais ricos em história e arte.de outros povos menos conhecidos.


REFERÊNCIAS

DAY, David. OO mundo de Tolkien: fontes mitológicas de “O Semhor dos Anéis”. São Paulo: Arxjovem, 2004.
MITOLOGIA na Antiguidade. São Paulo: Escala, 2009. (Quero Saber).
www.ludico.kit.blog.br

O mito dos Nibelungos

O mito dos nibelungos é um conjunto de lendas que fazem parte do imaginário mitológico germânico pré-cristão.Os nibelungos são uma raça mitológica de anões guardiões de tesouros. Essa lenda influenciou outras lendas, não só germânicas, mas nórdicas também . Sua origem refere-se à época das migrações dos povos bárbaros.
Com o lançamento dos filmes baseados na trilogia de Tolkien, muito se tem procurado saber sobre as mitologias que influenciaram o escritor. O mito dos nibelungos influenciou, muito antes de Tolkien, o mais famoso poema germânico “Das Nibelungelied” (traduzido erroneamente como “Canção dos Nibelungos”), e Richard Wagner e sua tetralogia operística, “Anel dos Nibelungos”.
Além do poema e da ópera, há também a versão nórdica da lenda, e cada texto apresenta diferenças entre si, principalmente referente à nomenclatura de alguns personagens.

“Das Nibelungelied” - “Canção dos Nibelungos”

A história do poema mistura os motivos heróicos germânicos pré-cristãos (a lenda do povo conhecido como nibelungo) com acontecimentos históricos dos séculos V e VI d.C, que se referem ao período em que o Império Romano foi invadido por tribos germânicas, dentre elas os burgúndios, que estabelecerem um reino na região do rio Reno. O poema se divide em duas partes.
Na primeira parte, Siegfried, príncipe de Xantem e filho de Sigmund e Sieglind, vai a Burgúndia com o intuito de se casar com a princesa Kriemhild. Em troca da mão dela, seu irmão o rei Gunther pede sua ajuda para vencer em batalha a rainha Brunhild, dona de força sobre-humana que desafiava todos os seus pretendentes. Para ajudá-lo, Siegfried utiliza a capa mágica que havia conquistado de Alberich. Gunther vence e leva sua rainha para casa. Brunhild fica intrigada com o fato do rei entregar a irmã em casamento a um vassalo, o que ela pensava que Siegfried era. O casamento duplo acontece, mas a rainha se recusa a consumar o casamento quando Gunther se nega a lhe explicar o porque do casamento da irmã com Siegfried. O rei então pede novamente ajuda ao herói e ele, no lugar de Gunther subjuga a rainha e tira dela seu cinturão e um anel. O rei consuma seu casamento ao mesmo tempo em que Brunhild perde sua força. Entrementes, Siegfried e Kriemhild viajam para Xantem e vivem lá por anos com um filho, Gunther, em homenagem ao tio. Brunhild convence o marido a convidá-los para Burgúndia e eles aceitam. No momento em que a rainha e a princesa vão entrar na catedral, inicia-se uma discussão sobre quem deveria entrar primeiro. Por ser tida como mulher de um vassalo, Kriemhild não aceita entrar depois da rainha e confessa perante todos que quem a conquistou foi Siegfried, seu marido. Posteriormente, ela se arrepende de ter humilhado a rainha, mas Hagen, fiel vassalo de Gunther, planeja assassinar o herói. Usando de uma falsa ameaça de guerra, todos partem e Siegfried é assassinado por Hagen (ele havia pedido que Kriemhild identificasse o ponto em que o sangue do dragão morto por Siegfried não havia tocado em sua pele, deixando-o vulnerável). Krienhild jura vingança pela morte do marido e resolve permanecer em Worms. Pressentindo isso, Hagen rouba e joga o tesouro do nibelungo pertencente a Siegfried no Reno.
Na segunda parte, os burgúndios passam a ser chamados de nibelungos, devido ao fato de terem tomado para si o tesouro. Anos depois, Kriemhild aceita o pedido de Etzel de casamento e ambos tem um filho. Usando o batizado como desculpa, ela convida seus parentes, mas Hagen desconfia. Lá, um dos convidados, o rei Dietrich Von Bern, aconselha a todos a ficarem de armas em postos. No salão, Kriemhild acusa a todos pela morte de Siegfried. Hagen admite as acusações. A briga começa fora do salão e ao saber disso, Hagen mata o filho de Etzel e Krienhild na frente de ambos. A luta segue. Kriemhild pede Hagen em troca da vida de seus parentes, que recusam. Todos os burgúndios morrem queimados, menos Gunther e Hagen. Kriemhild pergunta sobre o tesouro, mas ante a negativa de Hagen em responder, decapita Gunther e prepara-se para fazer o mesmo com Hagen, mas todos horrorizam-se e Hildebrand, cavaleiro a serviço de Dietrich, a mata. O poema termina com o lamento dos sobreviventes pela morte de tantos heróis.
É nessa segunda parte que ficam evidentes os acontecimentos históricos, quando Etzel ou Átila, rei dos hunos, destrói o reino da Burgúndia.

“Der Ring des Nibelungen” - “O Anel dos Nibelungos”

Esse é o nome do ciclo de óperas do alemão Richard Wagner. Composta entre 1848 e 1874, fazem parte dele “O Ouro do Reno”, “A Valquíria”, “Siegfried” e “Crepúsculo dos Deuses”. Essa ópera é uma adaptação de Wagner para a história que o poema conta, utilizando mais aspectos mitológicos. Nessa versão, os deuses tem um papel mais atuante no desenrolar dos acontecimentos. Apesar disso, Wagner demonstra que o desenrolar da história culminava com o momento histórico em que os deuses pagãos são deixados de lado frente o surgimento de uma nova crença, a cristã.

O Ouro do Reno
O anão Alberich, um nibelungo, renuncia ao amor e o amaldiçoa para poder se apossar do tesouro guardado pelas ninfas do Reno, pois aquele que forjasse um anel com esse tesouro se tornaria dono do mundo. Surge Wotan, que em troca da construção de seu palácio Valhala pelos gigantes, oferece a deusa do amor. Arrependido, pois ela guardava as maçãs da juventude, ele se apodera do tesouro e do Anel de Alberich, e do elmo mágico da invisibilidade de Tarn feito por Mime para pagar os gigantes. Nesse momento, Alberich amaldiçoa eternamente todo aquele que se apossar do seu anel. No momento do pagamento, os gigantes irmãos Fafner e Fasolt brigam pelo Anel e Fasolt é morto pelo irmão. Wotan e os deuses percebem o primeiro efeito da maldição do anão.

A Valquíria
Siegmund consegue encontrar uma espada que foi deixada por seu pai Wotan para ele encravada em uma árvore. A espada chama-se Notung. Ele também reencontra sua irmã gêmea e se casa com ela. Os dois fogem e Hunding, o marido de Sieglinde, caça os dois. Wotan decide retirar a proteção de Siegmund e manda para fazer isso sua filha valquíria, Brunhild. Ela se compadece dele e permanece a seu lado, mas Wotan furioso faz com que Siegmund seja morto ao quebrar sua espada, enquanto Brunhild foge com Sieglind e com os restos de Notung. Ela já espera Siegfried. Wotan castiga Brunhild pela desobediência, tirando sua imortalidade e colocando-a adormecida envolta em um anel de fogo, para ser acordada por um homem mortal. Siegfried nasce sob o peso da maldição de Wotan, na caverna de Mime, que ajuda sua mãe, mas ela não sobrevive ao parto.

Siegfried
Tem como pai adotivo o anão, que lhe conta sua história e lhe entrega os pedaços de Notung. Siegfried reforja a espada e sai a caça de Fafnir, agora na forma de um dragão. Após matá-lo, o sangue do dragão cai em sua mão e o queima. Ato reflexivo, ele leva a mão a boca e assim que prova o sangue do bicho, começa a entender a linguagem dos pássaros. Descobre os plano de Mime para matá-lo e se apossar do tesouro e do Anel. Ele o mata, toma para si o tesouro, o Anel, o elmo e encontra Wotan, que o desafia e tem sua lança quebrada. Nesse momento, percebe-se que os deuses estão no caminho para seu fim. Siegfried parte, então, para despertar Brunhild e ambos se unem.

Crepúsculo dos Deuses
As nornas recordam os acontecimentos de seu tempo. Recordam Wotan bebendo da fonte da sabedoria e pagando por isso com um olho; recordam quando o deus quebrou um ramo da arvora da vida Yggdrasil para fazer sua lança e enfraqueceu a árvore. É quando começa a ruína do mundo dos deuses. Conscientes disso, elas desaparecem entrando no seio da terra. Voltando a Siegfried, ele se torna detentor do conhecimento da ex-valquíria, recebe dela seus antigos elmo e armadura e seu cavalo. Ele entrega para ela seu Anel como prova de amor. São introduzidos na história o rei Gunther, Hagen e Gutrune, sua irmã. Hagen é meio irmão de ambos, filho da mesma mãe com Alberich. Conspira-se para casar Siegfried com Gutrune e Gunther com Brunhild. Ao beber uma poção, o herói esquece do seu amor por Brunhild e aceita ajudar Gunther a conseguir Brunhild, em troca de casar com Gutrune. Disfarçado de Gunther, ele conquista Brunhild e toma o anel dela. Mais tarde, ao perceber que o anel está com o Siegfried e não com Gunther, ela chama atenção para o fato. Siegfried jura que não desonrou Gunther e ela pede sua morte. Hagen arma tudo e descobre a parte do corpo de Siegfried vulnerável. Ele então bebe outra poção, relembra seu amor e confessa-o, e todos pensam que ele realmente traiu o rei. Dois corvos tentam alertá-lo para o perigo, mas ele não entende. Hagen o mata. Gutrune acusa ele e seu irmão, ambos se desentendem pelo Anel e Gunther é morto. No funeral de Siegfried, as ninfas recebem de volta o ouro e o Anel, para que o amor retorne ao mundo. A antiga valquíria conclama o deus Loki para que faça arder a pira montada nos portões do Valhala com a madeira de Yggdrasil. É o fim do mundo dos deuses.

A versão nórdica

A versão nórdica apresenta poucas diferenças frente ao enredo. O que muda é a nomenclatura de alguns personagens, como por exemplo Wotan se torna Odin, Siegfried se torna Sigurd, Gutrune se torna Kriemild, para citar alguns.

Pelo pouco que foi apresentado, percebe-se que conhecer as variedades de interpretações do mito dos nibelungos nos leva a compreender melhor o mundo de JRRTolkien e sua inspiração para a composição do tempo, dos personagens e criaturas que fazem parte desse lugar chamado Terra-Média.

REFERÊNCIAS:
FRANCHINI, A. S.; SEGANFREDO, Carmen. As melhores histórias da mitologia nórdica. Porto Alegre: Atres e Ofícios, 2006.
Disponível em:
Disponível em:

O elemento feminino em Tolkien

Sou muito fã de Tolkien. Escrevi esses textos faz um tempo, e agora resolvi partilhar aqui.

Muitos dizem que os papéis desempenhados pelas mulheres na saga tolkeniana são secundários e sem real importância para o desenvolvimento da história. O leitor que prestar bastante atenção, no entanto, perceberá que essa é uma afirmação falsa e ignorante, pois mesmo sendo papéis secundários, são elas que muitas vezes definem o curso da história (para o bem ou para o mal).
J.R.R. Tolkien viveu na primeira metade do século XX, numa época em que a mulher ainda tinha sua vida restrita a submissão ao homem da família (pai, irmão ou marido) e seu trabalho, ao ambiente doméstico. Mesmo com as mudanças ocasionadas pelo surgimento do movimento feminista na Europa, no decorrer do século XIX, o papel da mulher na sociedade se restringia a prática do cuidado ao lar e à família.
Somente com a Segunda Guerra Mundial, as mulheres passaram a exercer um trabalho efetivo na sociedade, assumindo o lugar dos homens nas fábricas, nos escritórios e nas universidades. O movimento feminista também as ajudou na conquista de vários direitos.
RIOS (2005), em seu livro “Senhoras dos Anéis”, demonstra a relevância que Tolkein deu às suas personagens femininas. A análise feita pela autora sobre o elemento feminino nas obras do autor põe termo às discussões sobre o “machismo” presente não somente na saga do Um Anel, mas em toda a mitologia da Terra-média.

O culto à Deusa e sua face Tríplice.

Após muito tempo esquecidos ou relegados à margem da história, hoje os mitos da Deusa têm sido re-introduzidos no mundo ocidental, através principalmente do movimento neopagão conhecido como Wicca. Esse movimento na atualidade tem se distanciado da magia cerimonial e cabalística, buscando as Tradições da Deusa nos “cultos pré-cristãos à Grande Mãe da era Neolítica e Paleolítica.”
O feminismo, como já mencionado acima, fez com que as mulheres reexaminassem seu papel na sociedade, em todos os aspectos, inclusive no religioso.

Já nos anos 70, as mulheres passaram a usar a Deusa como parte do movimento feminista (...) Todas as mulheres que buscaram por seus direitos sociais e políticos encontraram na religião da Deusa um porto seguro. Elas encontraram na deusa força, e pela reiterpretação dos mitos de Deusas guerreiras, sábias, matriarcas e rainhas, conseguiram resgatar sua dignidade na sociedade e sua religiosidade. Com o crescimento dos direitos das mulheres, ressurgiu os interesses nos estudos da Deusa, de suas histórias. (...)

O culto à Deusa foi a primeira religião da humanidade. Através dos séculos, ela adquiriu vários nomes, papéis e faces, daí afirmar que a Deusa é uma força multifacetada. Ela é, ao mesmo tempo, Tríplice e Una. Em várias culturas, ela aparece assumindo uma de suas faces: Donzela, Mãe ou Anciã. Tendo isso em mente, o objetivo do texto é demonstrar quais os papéis desempenhados por algumas das principais personagens femininas tolkenianas, segunda suas características e papéis desempenhados na saga, dentro do quadro wiccaniano.
Primeiramente, seguem-se as características de cada aspecto.

 Donzela: Virgem, Filha ou Jovem também são suas denominações. Seu aspecto é de uma mulher jovem, desabrochando para a vida, explorando sua sexualidade e aprendendo sobre sua beleza. Está relacionada à Primavera e sua cor é o Branco.
 Mãe: Amiga, Amante, Guerreira ou Irmã são outras denominações desse aspecto. Ela é a Grande Mãe, a Mãe Natureza, Criadora e Doadora da vida de todas as coisas. Seu aspecto é de uma mulher grávida ou com uma criança no colo. Ela também é a Protetora de sua criação. Simbolizada pelo Verão, sua cor é o vermelho.
 Anciã: Velha, Avó, Parteira e Sábia são outras denominações desse aspecto da Deusa Tríplice. Ela é a guardiã, do conhecimento oculto, dos mistérios da sabedoria mágica. Ela é a Deusa Tríplice por ela própria, pois já passou pela sensualidade da Donzela, pelas dores do parto da Mãe e agora carrega as memórias dessas passagens.

As mulheres do universo de Tolkien e a Wicca.

Tolkien demonstra em suas obras uma quantidade variada de personagens femininas, que desempenham papéis significativos ao logo da história de acordo com seu poder, seu amor, sua inteligência ou bravura. Listar todas elas seriam um trabalho dispendioso, por isso listei aquelas que, a meu ver, apresentam características mais marcantes e cujos papéis são mais importantes.

 Melian: surgiu na Primeira Era, pertencente aos Ainur, que morava nos jardins de Lórien. Melian era a Maia mais bela e mais sábia, esposa do rei Thingol e mãe de Lúthien Tinúviel.
 Míriel Serindë: viveu na Primeira Era, elfa que deu à luz Fëanor, o famoso artífice, criador das Silmarils. Primeira esposa de Finwë, Míriel teve suas forças esgotadas após o parto de seu filho e, por isso, desejou abandonar seu corpo e descansar em espírito nos salões de Mandos.
 Galadriel: elfa que nasceu durante as Eras das Árvores, filha de Finarfin, rei dos Noldor. Considerada bela entre os Eldar, Galadriel era orgulhosa e forte, lutou contra Fëanor durante os acontecimentos em Aqualondë e governou o reino de Lothlórien na Terra-média.
 Lúthien Tinúviel: a mais bela entre os filhos de Ilúvatar, filha de Thingol e Melian, foi a elfa antepassada de todos os homens. Excepcional e incomparavelmente bela, se apaixonou pelo mortal Béren e o ajudou a recuperar uma das Silmarils, encantando Morgoth. Foi a primeira a esolher a mortalidade para ficar ao lado do homem amado e gerou Dior, antepassado de Arwen e Aragorn.
 Éowyn: humana, sobrinha de Théoden, Dama Branca de Rohan. Cresceu em um ambiente masculino, aprendeu a montar e a usar a espada com perfeição. Conhece e se apaixona por Aragorn, mas a tristeza pelo amor não correspondido a leva a cometer um ato suicida: enfrentar e matar o Rei Bruxo de Angmar.

A Deusa Donzela

Segundo suas características, Éowyn, a meu ver, é a personagem que se assemelha ao aspecto “Donzela” da Deusa. Jovem, seu “desabrochar para a sexualidade” acontece quando conhece Aragorn e se apaixona por ele. A cor da Donzela é a mesma cor associada a Éowyn, o branco (da neve que degela dando lugar à Primavera).

A Deusa Mãe

Melian, enquanto Protetora do reino de seu marido, se enquadra no aspecto “Mãe”. O Cinturão de Melian não permitia a entrada e a saída de nenhum estranho no reino de Doriath e foi, por muito tempo, a garantia de segurança de sue povo. Como Mãe, seu papel não foi menor, já que dela nasceu Lúthien, que gerou Dior, cuja filha e seu marido alcançaram a Terra dos Valar e desempenharam um papel importante na guerra de destruição de Morgoth.
Míriel Serindë: a “Mãe” por excelência, aquela que desempenha o papel de Mãe mais proeminente da história, já que foi dela que nasceu Fëanor, o grande artífice responsável pela criação das mais belas gemas élficas: as Silmarils, jóias que carregavam o brilho das Duas Árvores (Dourada e Prateada) de Valinor, e cujos acontecimentos posteriores foram muito importantes para a história.
Galadriel também desempenhou o papel de Protetora e Guerreira, já que foi sob seus domínios que a terra de Lórien conseguiu se proteger e resguardar dos perigos enfrentados pelos povos da Terra-média.
Lúthien: considerada a personagem mais forte de toda a história, enquadra-se nesse papel por ter dado origem a mais bela linhagem de elfos e homens.È a antepassada dos reis de Númenor e dos filhos de Elrond Meio-Elfo, e sua descendência se fecha com o casamento de Aragorn e Arwen.

A Deusa Anciã

Galadriel também se enquadra nesse aspecto da Deusa Tríplice, pois ela É uma anciã. Apesar de não ser a criatura mais velha da Terra-média, o início de sua história esta ligada ao próprio início da história dos elfos. Galadriel carrega em sua memória todos os acontecimentos ligados às Silmarils (os infortúnios e tristezas desde a criação das pedras), viveu as várias eras mencionadas ao longo dos livros, participou da guerra contra os dois Senhores do Escuro (em momentos diferentes).

REFERÊNCIAS

PRIETO, Claudiney. Todas as Deusas do mundo: rituais wiccanianos para celebrar a Deusa em suas diferentes faces. São Paulo: Gaia, 2002. (Col. Gaia Alemdalenda)
RIOS, Rosana. Senhoras dos Anéis: mulheres na obra de J.R.R. Tolkien. São Paulo: Devir, 2005.

Jane Austen





Razão e Sensibilidade foi o primeiro livro publicado de Jane Austen. Em 2011, comemoraram-se os 200 anos de seu lançamento. O livro mostra, através do comportamento de duas irmãs, como virtudes podem ser recompensadas e questionamentos morais são levantados, além de abordar a necessidade de se manter um equilíbrio entre razão e emoção. Orgulho e Preconceito, segundo romance publicado e livro mais conhecido da autora, mostra o preconceito causado pelas primeiras impressões e como o conhecimento de si mesmo pode prejudicar (ou não) os julgamentos feitos aos outros. Mansfield Park mostra o mundo de pretendentes religiosos e proprietários de terra, das caçadoras de maridos, dos esnobes e dos tolos do interior. Em Emma, a autora apresenta ao leitor uma heroína que, em pleno século XIX, não se preocupa em arranjar um casamento para si. N'A Abadia de Northanger, os excessos que beiram os romances góticos são ironicamente criticados. Em Persuasão, seu último romance, é apreciado como uma história de amor simples, considerado um apanágio ao homem de iniciativa. 


Em suas obras, Jane Austen critica a sociedade de sua época. Com humor e ironia, ela retrata a condição social feminina no século XIX; mostra as controvérsias do ser humano; discute questões sociais; aborda as questões do amor, do desejo reprimido e da sensualidade aprisionada; expõe as sutilezas das relações entre nobres insensíveis, uma classe média ambiciosa e o casamento como meio de enobrecimento. Suas obras são clássicas e refletem temas que, ainda hoje, são relevantes. Um acima de todos: a necessidade de homens e mulheres de encontrarem a sua identidade e fazerem suas próprias escolhas, ainda que a sociedade tente transformá-los em seres dependentes e preconceituosos.

11 de jan. de 2010

O Silmarillion (J.R.R. Tolkien)



Título: O Silmarillion
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora Marins Fontes, 461 p.

O Silmarillion propriamente dito deve seu título à história das três silmarils, pedras preciosas feitas pelo habilidoso e talentoso elfo Fëanor, príncipe dos Noldor, que as cria a partir da luz sagrada das duas árvores de Valinor, Telperion (a prateada) e Laurelin (a dourada). Dividido em quatro partes, o livro narra desce a criação do mundo por Ilúvatar/Eru até um breve resumo dos acontecimentos conhecidos n’O Senhor dos Anéis
Em Ainulindalë (A Música dos Ainur), narra-se que Ilúvatar criou os Ainur a partir de seu pensamento e lhes propõs três temas musicais para desenvolverem. À medida que os Ainur vão desenvolvendo sua música, vão conhecendo a si próprios e aos demais. Durante a Criação, um dos Ainur, Melkor, decide desenvolver seu próprio tema, entrando em dissonância com a sinfonia geral; Ilúvatar mostra então aos ainur que seu canto plasmou Ëa e Arda. 
Valaquenta (O Relato dos Valar) conta Ilúvatar estabeleceu aos Ainu que aqueles que desejassem assumir uma forma corpórea assim poderiam fazer, e poderiam habitar Arda e desenvolvê-la. Os que assim fizeram ficaram conhecidos como os Valar. Esse período inicial do mundo é conhecido como a Primavera de Arda. A Primeira Guerra entre os Valar e Melkor ocorre, pois Melkor tinha como objetivo principal destruir os belos feitos de seus pares, criando suas próprias criaturas. Ele destrói as duas luminárias da Terra-média. Os Valar partem para Aman e passam a viver em Valinor. De lá, eles preparam a Terra-média para os Filhos de Ilúvatar, os Primogênitos e os Sucessores. Aulë, no entanto, impaciente para ver a terra povoada, cria os anões sem a permissão de Ilúvatar. Ao descobri-los e não encontrando neles malícia, Ilúvatar os deixa viver, mas os mergulha em um sono do qual só acordariam após o nascimento dos Primogênitos. Os Primogênitos ou Elfos nascem em Cuiviénen, no tempo da Escuridão da Terra-média, época que o domínio de Melkor prevalecia. Desencadeia-se a Segunda Guerra dos Valar contra Melkor, na qual os Valar saem vitoriosos. Sua fortaleza é destruída e Melkor é levado cativo para Valinor, onde é condenado a ficar preso por três Eras dos Valar. 
No Quenta Silmarillion (A História das Silmarils), Oromë traz os elfos para Valinor, mas nem todos aceitam partir (os Avari). Os Vanyar e Noldor e parte dos Teleri atravessam o Grande Mar, mas o restante destes permanece em Beleriand. Elu Thingol, rei dos teleri, se casa com a Maia Melian e se estabelece em Doriath. Ingwë, rei dos vanyar, reina junto a Manwë, enquanto o rei noldor Finwë se estabelece em Tirion e o rei teleri Olwë, em Alqualondë. Finwë se casa com Miriel e eles têm um filho, Fëanor. Miriel não sobrevive muito tempo após o seu nascimento, e Finwë se casa novamente. De sua união a Indis, nascem Fingolfin e Finarfin. O cativeiro de Melkor chega ao fim e ele é perdoado pelos Valar, com a condição de permanecer em Valinor. Melkor, mais invejoso do que antes, arquiteta uma vingança, aproximando-se dos noldor. Fëanor cresce e se torna o mais habilidoso lapidador de jóias. Ele lapida as silmarils, colocando nas gemas as luzes preciosas das Árvores de Valinor, Telperion e Laurelin. Fëanor passa a cobiçar mais do que tudo as gemas e suas intrigas levam Fëanor a ameaçar seu irmão Fingolfin. Julgado pelos Valar, ele é condenado ao degredo em Formenos. Quando as maquinações de Melkor são descobertas, ele se une a Ungoliant, uma aranha gigante, e destrói as Duas Árvores. Yavanna propõe que se salve o que restou das luzes, agora presas nas silmarils, mas Fëanor se opõe. Nesse ínterim, Melkor mata Finwë e rouba as pedras. Louco de pesar, Fëanor jura perseguir qualquer valar, elfo ou homem que detivesse as silmarils. Esse juramento faz com que caia sobre ele e seus filhos a maldição de Mandos. Ele convoca os noldor para fora de Aman e é seguido pelos seus meio-irmãos. Em busca de barcos, Fëanor mata seus parentes teleri. Finarfin desiste da fuga quando percebe que o juramento feito por Fëanor começa a pesar sobre eles. Seus filhos continuam seguindo Fëanor, assim como Fingolfin. Enquanto isso, Lúthien Tinúviel, a única filha de Thingol e Melian, nasce no reino de Doriath. De Telperion nasce uma flor prateada, de Laurelin, um fruto de ouro. Os Valar colocam-nos em dois barcos, dirigidos por dois Maiar, e quando o Sol aparece pela primeira vez, os Sucessores ou Homens nascem na Terra-média. Já na Terra-média, Fëanor morre numa emboscada e Fingolfin se torna soberano dos noldor. Os elfos começam a estabelecer seus reinos. Após 300 anos de sua chegada, Finrod encontra os Homens ou Sucessores. Eram três as Casas de Homens: a da casa de Bëor, o Velho, a de Marach e a de Haldad. Unidas aos noldor, fecha-se o cerco a Melkor. Nas florestas de Neldoreth, Beren, da casa de Bëor, vê Lúthien dançar e cantar e se apaixona por ela. Um dia, consegue alcançá-la e ela se apaixona por ele. Levados até Thingol, o rei promete a filha em casamento para Beren se ele conseguir recuperar uma das silmarils da coroa de ferro de Melkor. Beren realiza o feito, mas perece na jornada. Lúthien se desespera e ambos vão para as mansões de Mandos, onde recebem a chance de retornar ao mundo. Lúthien escolhe viver como mortal junto a Beren. Eles se estabelecem em Beleriand e tem um filho, Dior. Ele tenta estabelecer o reino de Doriath após a morte de Thingol, mas os filhos de Fëanor reivindicam a silmaril que Beren resgatou e matam Dior. Sua filha Elwing foge com a jóia. Enquanto isso, Tuor é encarregado pelo próprio Ulmo, de levar uma mensagem a Gondolin para salvar os noldor restantes. Ele se casa com Idril e dessa união nasce Eärendil. Mas Melkor finalmente alcança e destrói Gondolin. O rei Turgon morre, enquanto Tuor lidera o resto dos noldor por uma passagem secreta. Mais tarde, Elwing, filha de Dior, se casa com Eärendil. Em busca do perdão dos Valar, ele parte pelos mares do Ocidente. Quando Maedhros e Maeglor, os filhos de Fëanor restantes, capturam seus filhos Elros e Elrond em busca da pedra, Elwing se atira no mar com ela. Salva por Ulmo, ela acompanha Eärendil na forma de um cisne. Ambos intercedem junto aos Valar, que decidem marchar para a guerra definitiva. Destroem Melkor e recuperam as pedras. Sempre com o peso do juramento feito ao pai de recuperar as Silmarils, Maedhros e Maeglor se apoderam das jóias. Mas as pedras lhes ferem. Assim, eles encontram seu fim e as pedras desaparecem para sempre da vista dos seres da Terra-média.
Em Akallabêth (A Queda de Númenor), narra-se que após a queda de Melkor, os Valar convocam os eldar para retornar ao Oeste. Aqueles que atenderam ao chamado foram morar na Ilha de Eressëa. Nessa ilha, está o porto de Avallónë, a cidade mais próxima de Valinor. Aos ancestrais das três casas fiéis dos homens, foi criada uma terra, nem parte da Terra-média, nem parte de Valinor. Essa terra foi chamada por eles de Númenor. Aos meio-elfos, os Valar deram poder de escolha entre ser eldar ou edain. Elrond opta pela imortalidade e Elros, pela mortalidade. Gil-Galad funda Lindon e os Portos Cinzentos, enquanto Círdan, Elrond e Celeborn e Galadriel se dirigem para o sudeste. Os descendentes das três Casas dos Homens se dirigem para Númenor e passam a constituir o povo dos Dúnedain, governados por Elros. Aos númenorianos, os Valar também impuseram, além da mortalidade, a proibição de navegar para as Terras Imortais. Sob o governo de Elros Tar-Myniatur, os númenorianos tornaram-se um povo poderoso, reinando em Armenelos. Na época do rei Tar-Minastir, os homens começaram a invejar a imortalidade dos elfos e a rebelar-se contra a Interdição dos Valar. Os reis começam a se apegar a vida mesmo depois do fim da alegria e da perda da inteligência e virilidade; sua soberba, ambição e o apego à vida crescem com o passar do tempo, ao mesmo tempo em que sua longevidade diminui. Sob o reinado de Tar-Ancalimon, o reino se dividiu, entre os Homens do Rei e os Elendili, os Fiéis amigos dos elfos. Nessa Era, Sauron volta a se erguer na Terra-média. O desejo de grandeza de Ar-Pharazôn o leva a enfrentar Sauron. Mas este é ardiloso e se torna o principal conselheiro real. Ele consegue fazer com que o rei derrube a Árvore Branca, Nimloth, e também declare guerra aos Valar. Amandil, um dos Fiéis, se desespera e resolve repetir o feito de Eärendil, intercedendo junto aos Valar. Ele prepara o filho Elendil, despede-se e zarpa. Elendil e seus seguidores embarcam com eles objetos de beleza e poder, mas não atendem ao chamado do rei. A frota real chega a Aman e reivindica a posse da terra. Manwë invoca Ilúvatar e os Valar renunciam a sua autoridade sobre Arda. Então Ilúvatar abre no mar um precipício entre Númenor e as Terras Imortais e a esquadra real é arrastada para o abismo. As tempestades trazem grandes ondas, que arrastam Númenor para as profundezas. Mas Elendil e seus filhos, fosse ou não devido ao sucesso de Amandil, foram poupados da destruição. O vento forte lançou suas embarcações em direção à Terra-média. Sauron, surpreso com a ira dos Valar, se esconde em Mordor. Os sobreviventes fundaram reinos na Terra-média. E Númenor desaparece para sempre. 
Finalmente, no capítulo “Dos Anéis do Poder e da Terceira Era”, é contado Sauron ficou perturbado com a ira dos Senhores do Oeste. E como ele começou a secretamente tramar contra os homens e elfos. Nessa época são forjados os anéis de Poder, enquanto Sauron forja secretamente Um Anel na Montanha da Perdição, o qual deveria governar todos os anéis élficos. Percebendo isso, os elfos conseguem salvar os três mais poderosos, Narya, Nenya e Vilya. Os anéis que consegue recuperar, Sauron distribui nove para os reis homens e sete para os anões. Elendil e seus filhos Isildur e Anárion fundam reinos em Arnor e Gondor. Dentre os tesouros salvos da destruição de Númenor estão as Sete Pedras, os Palantír, e a Árvore Branca, nascida de Nimloth. Quando Elendil e Gil-Galad formam a Última Aliança, marchando para o leste com um imenso exército, o próprio Sauron se apresenta. A espada de Elendil, Narsil, quebra quando ele tomba, mas Sauron também é derrubado, pois com o toco da espada, Isildur arranca o Um Anel de sua mão, derrotando-o. Ele planta em Arnor a muda da Árvore, mas não destrói o Anel, o que lhe custa a própria vida. A linhagem dos reis é interrompida. O Anel desaparece do conhecimento de todos e Gondor acaba decaindo. Os nazgûl reaparecem, Minas Ithil em Arnor ficou deserta, Minas Anor em Gondor resistia e recebe o nome de Minas Tirith, onde a Árvore Branca ainda florescia, os regentes da Casa de Mardil assumem o governo do território, e os rohirrim passam a habitar a terra de Rohan. Mas ainda existia beleza na Terra-média. Elrond mantinha Valfenda, Galadriel e Celeborn mantinham Lórien e nos Portos Cinzentos vivia um remanescente do povo de Gil-Galad. Quando as sombras começam a ser percebidas, Gandalf o Cinzento fica alerta às mudanças e começa a agira para que Sauron seja finalmente destruído e o último herdeiro de Isildur assuma o trono de Gondor. 

Uma obra magistral. Uma mitologia novinha em folha. Uma obra prima da literatura mundial. O melhor livro de Tolkien. Não tenho mais como definir esse livro. É o MELHOR livro que eu li em TODA a minha vida (e, modéstia à parte, já li muitos clássicos e muuuuuita mitologia). Tolkien relata neste livro não somente a criação de um novo mundo, mas de um novo e completo universo. Uma obra indispensável para todo fã da Terra-média.