11 de jan de 2010

O Silmarillion (J.R.R. Tolkien)



Título: O Silmarillion
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora Marins Fontes, 461 p.

O Silmarillion propriamente dito deve seu título à história das três silmarils, pedras preciosas feitas pelo habilidoso e talentoso elfo Fëanor, príncipe dos Noldor, que as cria a partir da luz sagrada das duas árvores de Valinor, Telperion (a prateada) e Laurelin (a dourada). Dividido em quatro partes, o livro narra desce a criação do mundo por Ilúvatar/Eru até um breve resumo dos acontecimentos conhecidos n’O Senhor dos Anéis
Em Ainulindalë (A Música dos Ainur), narra-se que Ilúvatar criou os Ainur a partir de seu pensamento e lhes propõs três temas musicais para desenvolverem. À medida que os Ainur vão desenvolvendo sua música, vão conhecendo a si próprios e aos demais. Durante a Criação, um dos Ainur, Melkor, decide desenvolver seu próprio tema, entrando em dissonância com a sinfonia geral; Ilúvatar mostra então aos ainur que seu canto plasmou Ëa e Arda. 
Valaquenta (O Relato dos Valar) conta Ilúvatar estabeleceu aos Ainu que aqueles que desejassem assumir uma forma corpórea assim poderiam fazer, e poderiam habitar Arda e desenvolvê-la. Os que assim fizeram ficaram conhecidos como os Valar. Esse período inicial do mundo é conhecido como a Primavera de Arda. A Primeira Guerra entre os Valar e Melkor ocorre, pois Melkor tinha como objetivo principal destruir os belos feitos de seus pares, criando suas próprias criaturas. Ele destrói as duas luminárias da Terra-média. Os Valar partem para Aman e passam a viver em Valinor. De lá, eles preparam a Terra-média para os Filhos de Ilúvatar, os Primogênitos e os Sucessores. Aulë, no entanto, impaciente para ver a terra povoada, cria os anões sem a permissão de Ilúvatar. Ao descobri-los e não encontrando neles malícia, Ilúvatar os deixa viver, mas os mergulha em um sono do qual só acordariam após o nascimento dos Primogênitos. Os Primogênitos ou Elfos nascem em Cuiviénen, no tempo da Escuridão da Terra-média, época que o domínio de Melkor prevalecia. Desencadeia-se a Segunda Guerra dos Valar contra Melkor, na qual os Valar saem vitoriosos. Sua fortaleza é destruída e Melkor é levado cativo para Valinor, onde é condenado a ficar preso por três Eras dos Valar. 
No Quenta Silmarillion (A História das Silmarils), Oromë traz os elfos para Valinor, mas nem todos aceitam partir (os Avari). Os Vanyar e Noldor e parte dos Teleri atravessam o Grande Mar, mas o restante destes permanece em Beleriand. Elu Thingol, rei dos teleri, se casa com a Maia Melian e se estabelece em Doriath. Ingwë, rei dos vanyar, reina junto a Manwë, enquanto o rei noldor Finwë se estabelece em Tirion e o rei teleri Olwë, em Alqualondë. Finwë se casa com Miriel e eles têm um filho, Fëanor. Miriel não sobrevive muito tempo após o seu nascimento, e Finwë se casa novamente. De sua união a Indis, nascem Fingolfin e Finarfin. O cativeiro de Melkor chega ao fim e ele é perdoado pelos Valar, com a condição de permanecer em Valinor. Melkor, mais invejoso do que antes, arquiteta uma vingança, aproximando-se dos noldor. Fëanor cresce e se torna o mais habilidoso lapidador de jóias. Ele lapida as silmarils, colocando nas gemas as luzes preciosas das Árvores de Valinor, Telperion e Laurelin. Fëanor passa a cobiçar mais do que tudo as gemas e suas intrigas levam Fëanor a ameaçar seu irmão Fingolfin. Julgado pelos Valar, ele é condenado ao degredo em Formenos. Quando as maquinações de Melkor são descobertas, ele se une a Ungoliant, uma aranha gigante, e destrói as Duas Árvores. Yavanna propõe que se salve o que restou das luzes, agora presas nas silmarils, mas Fëanor se opõe. Nesse ínterim, Melkor mata Finwë e rouba as pedras. Louco de pesar, Fëanor jura perseguir qualquer valar, elfo ou homem que detivesse as silmarils. Esse juramento faz com que caia sobre ele e seus filhos a maldição de Mandos. Ele convoca os noldor para fora de Aman e é seguido pelos seus meio-irmãos. Em busca de barcos, Fëanor mata seus parentes teleri. Finarfin desiste da fuga quando percebe que o juramento feito por Fëanor começa a pesar sobre eles. Seus filhos continuam seguindo Fëanor, assim como Fingolfin. Enquanto isso, Lúthien Tinúviel, a única filha de Thingol e Melian, nasce no reino de Doriath. De Telperion nasce uma flor prateada, de Laurelin, um fruto de ouro. Os Valar colocam-nos em dois barcos, dirigidos por dois Maiar, e quando o Sol aparece pela primeira vez, os Sucessores ou Homens nascem na Terra-média. Já na Terra-média, Fëanor morre numa emboscada e Fingolfin se torna soberano dos noldor. Os elfos começam a estabelecer seus reinos. Após 300 anos de sua chegada, Finrod encontra os Homens ou Sucessores. Eram três as Casas de Homens: a da casa de Bëor, o Velho, a de Marach e a de Haldad. Unidas aos noldor, fecha-se o cerco a Melkor. Nas florestas de Neldoreth, Beren, da casa de Bëor, vê Lúthien dançar e cantar e se apaixona por ela. Um dia, consegue alcançá-la e ela se apaixona por ele. Levados até Thingol, o rei promete a filha em casamento para Beren se ele conseguir recuperar uma das silmarils da coroa de ferro de Melkor. Beren realiza o feito, mas perece na jornada. Lúthien se desespera e ambos vão para as mansões de Mandos, onde recebem a chance de retornar ao mundo. Lúthien escolhe viver como mortal junto a Beren. Eles se estabelecem em Beleriand e tem um filho, Dior. Ele tenta estabelecer o reino de Doriath após a morte de Thingol, mas os filhos de Fëanor reivindicam a silmaril que Beren resgatou e matam Dior. Sua filha Elwing foge com a jóia. Enquanto isso, Tuor é encarregado pelo próprio Ulmo, de levar uma mensagem a Gondolin para salvar os noldor restantes. Ele se casa com Idril e dessa união nasce Eärendil. Mas Melkor finalmente alcança e destrói Gondolin. O rei Turgon morre, enquanto Tuor lidera o resto dos noldor por uma passagem secreta. Mais tarde, Elwing, filha de Dior, se casa com Eärendil. Em busca do perdão dos Valar, ele parte pelos mares do Ocidente. Quando Maedhros e Maeglor, os filhos de Fëanor restantes, capturam seus filhos Elros e Elrond em busca da pedra, Elwing se atira no mar com ela. Salva por Ulmo, ela acompanha Eärendil na forma de um cisne. Ambos intercedem junto aos Valar, que decidem marchar para a guerra definitiva. Destroem Melkor e recuperam as pedras. Sempre com o peso do juramento feito ao pai de recuperar as Silmarils, Maedhros e Maeglor se apoderam das jóias. Mas as pedras lhes ferem. Assim, eles encontram seu fim e as pedras desaparecem para sempre da vista dos seres da Terra-média.
Em Akallabêth (A Queda de Númenor), narra-se que após a queda de Melkor, os Valar convocam os eldar para retornar ao Oeste. Aqueles que atenderam ao chamado foram morar na Ilha de Eressëa. Nessa ilha, está o porto de Avallónë, a cidade mais próxima de Valinor. Aos ancestrais das três casas fiéis dos homens, foi criada uma terra, nem parte da Terra-média, nem parte de Valinor. Essa terra foi chamada por eles de Númenor. Aos meio-elfos, os Valar deram poder de escolha entre ser eldar ou edain. Elrond opta pela imortalidade e Elros, pela mortalidade. Gil-Galad funda Lindon e os Portos Cinzentos, enquanto Círdan, Elrond e Celeborn e Galadriel se dirigem para o sudeste. Os descendentes das três Casas dos Homens se dirigem para Númenor e passam a constituir o povo dos Dúnedain, governados por Elros. Aos númenorianos, os Valar também impuseram, além da mortalidade, a proibição de navegar para as Terras Imortais. Sob o governo de Elros Tar-Myniatur, os númenorianos tornaram-se um povo poderoso, reinando em Armenelos. Na época do rei Tar-Minastir, os homens começaram a invejar a imortalidade dos elfos e a rebelar-se contra a Interdição dos Valar. Os reis começam a se apegar a vida mesmo depois do fim da alegria e da perda da inteligência e virilidade; sua soberba, ambição e o apego à vida crescem com o passar do tempo, ao mesmo tempo em que sua longevidade diminui. Sob o reinado de Tar-Ancalimon, o reino se dividiu, entre os Homens do Rei e os Elendili, os Fiéis amigos dos elfos. Nessa Era, Sauron volta a se erguer na Terra-média. O desejo de grandeza de Ar-Pharazôn o leva a enfrentar Sauron. Mas este é ardiloso e se torna o principal conselheiro real. Ele consegue fazer com que o rei derrube a Árvore Branca, Nimloth, e também declare guerra aos Valar. Amandil, um dos Fiéis, se desespera e resolve repetir o feito de Eärendil, intercedendo junto aos Valar. Ele prepara o filho Elendil, despede-se e zarpa. Elendil e seus seguidores embarcam com eles objetos de beleza e poder, mas não atendem ao chamado do rei. A frota real chega a Aman e reivindica a posse da terra. Manwë invoca Ilúvatar e os Valar renunciam a sua autoridade sobre Arda. Então Ilúvatar abre no mar um precipício entre Númenor e as Terras Imortais e a esquadra real é arrastada para o abismo. As tempestades trazem grandes ondas, que arrastam Númenor para as profundezas. Mas Elendil e seus filhos, fosse ou não devido ao sucesso de Amandil, foram poupados da destruição. O vento forte lançou suas embarcações em direção à Terra-média. Sauron, surpreso com a ira dos Valar, se esconde em Mordor. Os sobreviventes fundaram reinos na Terra-média. E Númenor desaparece para sempre. 
Finalmente, no capítulo “Dos Anéis do Poder e da Terceira Era”, é contado Sauron ficou perturbado com a ira dos Senhores do Oeste. E como ele começou a secretamente tramar contra os homens e elfos. Nessa época são forjados os anéis de Poder, enquanto Sauron forja secretamente Um Anel na Montanha da Perdição, o qual deveria governar todos os anéis élficos. Percebendo isso, os elfos conseguem salvar os três mais poderosos, Narya, Nenya e Vilya. Os anéis que consegue recuperar, Sauron distribui nove para os reis homens e sete para os anões. Elendil e seus filhos Isildur e Anárion fundam reinos em Arnor e Gondor. Dentre os tesouros salvos da destruição de Númenor estão as Sete Pedras, os Palantír, e a Árvore Branca, nascida de Nimloth. Quando Elendil e Gil-Galad formam a Última Aliança, marchando para o leste com um imenso exército, o próprio Sauron se apresenta. A espada de Elendil, Narsil, quebra quando ele tomba, mas Sauron também é derrubado, pois com o toco da espada, Isildur arranca o Um Anel de sua mão, derrotando-o. Ele planta em Arnor a muda da Árvore, mas não destrói o Anel, o que lhe custa a própria vida. A linhagem dos reis é interrompida. O Anel desaparece do conhecimento de todos e Gondor acaba decaindo. Os nazgûl reaparecem, Minas Ithil em Arnor ficou deserta, Minas Anor em Gondor resistia e recebe o nome de Minas Tirith, onde a Árvore Branca ainda florescia, os regentes da Casa de Mardil assumem o governo do território, e os rohirrim passam a habitar a terra de Rohan. Mas ainda existia beleza na Terra-média. Elrond mantinha Valfenda, Galadriel e Celeborn mantinham Lórien e nos Portos Cinzentos vivia um remanescente do povo de Gil-Galad. Quando as sombras começam a ser percebidas, Gandalf o Cinzento fica alerta às mudanças e começa a agira para que Sauron seja finalmente destruído e o último herdeiro de Isildur assuma o trono de Gondor. 

Uma obra magistral. Uma mitologia novinha em folha. Uma obra prima da literatura mundial. O melhor livro de Tolkien. Não tenho mais como definir esse livro. É o MELHOR livro que eu li em TODA a minha vida (e, modéstia à parte, já li muitos clássicos e muuuuuita mitologia). Tolkien relata neste livro não somente a criação de um novo mundo, mas de um novo e completo universo. Uma obra indispensável para todo fã da Terra-média.

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